quarta-feira, 11 de julho de 2007

Função de Artista

A Festa Literária é um evento multifacetado. Em meio a inúmeros transeuntes, um Artista brilha. No anonimato, à margem do evento, quase desapercebido pelos turistas sua participação é fundamental e sua atuação é tão precisa que delineia a geografia das ruas da bela cidade de Parati. Seus movimentos singelos, simples, olhar baixo, de uma pessoa que já viu muitas coisas, envergonhado, cabelos brancos, mãos calejadas, cheias de esparadrapo, pelo árduo serviço artístico, são algumas características físicas do Artista.

Sapatos sujos por uma camada rasa de pó, camisa suada e calçados levemente furados, ele nos diz que há muitas horas está trabalhando, mais ou menos quatro. São oito horas. O modo de falar lembra a simplicidade do Jeca Tatu, personagem de Monteiro Lobato. Ao mesmo tempo em que o Artista é experiente pela vivência é paradoxalmente juvenil no que tange ao conhecimento escolástico. Baixa escolaridade não é problema quando o espírito do Artista é grande. Ele compreende que seu trabalho é colaborar para que a festa esteja “organizadinha”.

- Artista! Não é um trabalho muito duro?
- Não é não senhor, fica tudo muito lindo, a gente tem prazer de trabalhar perto da praia e ver as pessoas contentes.

E quem não acha que ele tem razão? Trabalhar tendo ao redor uma paisagem paradisíaca como a de Parati, com praias, um centro histórico belíssimo e conservado, que abriga muita riqueza cultural é para de fato ninguém reclamar, tendo em mente os problemas da conurbação. Neste período de festa, passa-se a respirar literatura, uma diversidade cultural e que confronta pontos de vistas plurais, discussões complexas e pertinentes, mas Artista pouco conhece sobre isso. Ainda assim sem saber ele participa desse núcleo que tende a marginalizá-lo. E é por isso que o admiramos, ele trabalha, rala e poucos o vêem, mas mesmo assim ele insiste em sobreviver com sua obra.

Esta cidade é com certeza um lugar em que muitos gostariam de trabalhar, se obviamente fossem reconhecidos. Reconhecidos? Há um provérbio na filosofia que diz que as pessoas só se mantém vivas pelo impulso do reconhecimento observado da sociedade. Mas se o Artista não tem esse prestígio, o que o leva a querer viver sem o reconhecido da sua sociedade?

O olhar acurado do Artista nos deixa a resposta. Não é preciso haver reconhecimento, apenas continue a fazer o que acha que deve fazer e alguém um dia, talvez, notará seu trabalho. Há pessoas, por exemplo, que só tem reconhecimento em vida póstuma. Não é preciso esperar a morte para a redenção, mas atentar para as simples ações do cotidiano e das relações humanas já dignificam o modo de viver.

Ao observarmos o Artista, dependemos do referencial ao qual olhamos; para muitos de nós, ele é apenas mais um elemento pertencente a engrenagem da máquina harmônica da sociedade, o trabalho. Marx dizia que o trabalho é um mecanismo que insere o indivíduo na coletividade e o faz dar sentido à vida tirando-o de um dos processos de alienação.

O simples trabalho do Artista o faz sentir-se útil, e ele é, ao desconstruir a idéia do alienado social. Não é necessário fazer grandes realizações ou tecer discussões profundas. Varrer a calçada da rua ou a da nossa casa, já é a grande obra do Varredor, Funcionário público e Cidadão: Ronaldo Artista Nogueira.


terça-feira, 10 de julho de 2007

Bonecos dão um toque de criatividade

“A arte é um compêndio da natureza formado pela imaginação”.
Eça de Queirós


Uma tradição na FLIP são os bonecos de papel marche, construídos pelas crianças das escolas públicas da cidade, através de uma oficina ministrada pelos escultores locais. Os bonecos gigantes representam grandes clássicos da literatura. A idéia foi reeditada, com novos temas. Olhando atentamente a cidade, descobrimos, também, figuras do folclore brasileiro.

De acordo com os organizadores do evento, os bonecos são sempre sucesso na FLIP, o que podemos perceber nitidamente. Quando as crianças chegam à praça do centro histórico de Parati, ficam perplexas com o colorido e o tamanho dos bonecos. Ao verem que nem todos os bonecos são imóveis, querem logo saber como são feitos e como funcionam aqueles que se movem.

A técnica do papel marche é tradicional em Parati e muitas vezes é passada de pai para filho nos quintais. Em parceria com um programa educativo, os alunos da rede escolar aprendem, a partir das referências da literatura e da cultura local, a fazer os bonecos. Nas instalações, alguns bonecos montados em frente à Flipinha este ano são: Alice no País das Maravilhas, Cirandeiros de Parati, A Metamorfose (Kafka), Jeca Tatu, João e Maria na Casinha de Doces, o Saci, a Mula-sem-cabeça, dentre outros.

Durante a Flip, crianças e jovens de escolas públicas desfilam, pelas ruas da cidade, vestidos nos grandes bonecos que por eles são feitos. Aos turistas e curiosos é possível também vestir-se nos personagens e emergir na brincadeira e nesse mundo de fantasia que não é assim tão simples e ingênuo. A arte visa mostrar às crianças a riqueza presente nas obras e a problemática que envolve cada uma, levando o adulto e a criança à reflexão do que é observado.

A arte de comer

“Os maus vivem para comer e beber. Enquanto isso, os bons comem e bebem para viver”.
Sócrates


Aos que não desejam gastar muito com alimentação em Parati, é possível comer um pastel de 30 cm no centro histórico. Claro que ele não é tão barato assim, custa entre R$ 6 e 10 reais cada e varia de acordo com o recheio escolhido pelo cliente. Mas uma coisa é certa, ele sacia momentaneamente a fome da pessoa.

As crianças ficam meio desajeitadas, os mais velhos com vergonha de fazer sujeira em público, mas o fato é que todos querem provar a novidade. O sabor é muito agradável.

Mãe, Como é que eu faço?
Ora, pegue um papel, corte e tome cuidado para não....

Mas você derrubou...
Ah... Deixa pra lá. Coma o seu e me deixe quieta...
Ta bom o pastel, né? E eu nem fiz sujeira.

Show de Abertura

A abertura da quinta FLIP inicia-se com uma belíssima apresentação da Orquestra Imperial, que toca ritmos como: carnaval e funk, gafieira e soul, samba e bolero na Festa de Parati. Com músicas que trazem uma nostalgia aos mais experientes e inveja aos mais jovens, ela causa admiração pela leveza do som e bom tom das letras. A Orquestra é classificada por críticos da atualidade como um dos maiores coletivos de talentos contemporâneos da música brasileira.

Criada em 2002, a Orquestra conta com 18 integrantes. Entre eles músicos clássicos como Wilson das Neves, um dos maiores bateristas da história do MPB até revelações recentes, como Rodrigo Amarante (Los Hermanos), os três integrantes do grupo +2 (Moreno Veloso, Kassin e Domenico), as cantoras Thalma de Freitas, que participou de novelas da Rede Globo, e Nina Becker além do guitarrista Pedro de Sá. Um dos pontos fortes da apresentação é Bidu, o trombonista que nos prestigia com seus solos e, algumas vezes durante o show, brinda o público com sua voz em velhas marchinhas cantadas pela orquestra.

A banda trás para a apresentação, na Tenda da Matriz, o músico João Donato, um dos mais talentosos do país, em uma parceria inédita. Nascido no Acre, muda-se para o Rio de Janeiro e, com 15 anos, já cantava e fazia sucesso nas noites cariocas. Artífice da Bossa Nova, o pianista, arranjador e compositor não ficou preso ao gênero de banquinhos e barquinhos, sem nenhuma ofensa. Mas foi tocar jazz nos Estados Unidos.

Nos anos 60, conviveu com Herbie Mann e Wes Montgomery. Retornou ao Brasil em 72 e consolidou sua imagem de músico inquieto. Neste ano, Donato já fez turnê ao Japão e lançou dois CDs um solo e outro com o amigo Bud Shank. Em Parati o pianista mescla sua experiência e juventude com os a Orquestra Imperial evidenciando a harmonia musical dos estilos.

Encontramos mais informações no site da Orquestra

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Simplesmente Artistas

O resultado dos trabalhos desenvolvidos pelas crianças, tais como: exposições de trabalhos, apresentações de teatro, música, oficinas de arte, literatura e um tapete verde para leitura, podem ser vistos na Tenda Azul. O objetivo é difundir a cultura e explorar a pluralidade das expressões artísticas existentes. Como pode ser visto na foto, o lixo que é retirado do mar por pescadores mostra a problemática da falta da consciência ecológica pelas pessoas.

Nos arredores da Tenda Azul, as crianças lêem debaixo dos “pés-de-livros”, árvores com livros pendurados, que resultam da parceria com editoras brasileiras para a ampliação do acervo da Biblioteca Azul, instalada na sede da Associação e que atende a comunidade de Parati. Neste lugar, as crianças ficam entretidas e curiosas com o fato de lerem de um modo diferente e em contato com a natureza.



As crianças no país da FLIPINHA

"Um país se faz com homens e livros".
Monteiro Lobato

Uma das atrações da Festa Literária de Parati é a Flipinha que é um local de encontro das atividades realizadas ao longo do ano pelo Programa Educativo Cirandas de Parati que mobiliza a rede escolar e a comunidade, visando incentivar a leitura e a valorização do patrimônio local.

Segundo o diretor de programação Cassiano Elek Machado, em 2007 a participação das escolas será 30% maior que em 2006, devido às parcerias. Neste ano, a Flipinha foca a preservação do patrimônio material e imaterial da cidade de Parati, por meio dos estudantes, orientados por professores, que colheram informações na comunidade e elegeram bens que inspiraram instalações e apresentações artísticas.

A FLIP como ela foi


A partir de hoje, este blog se encarregará de fazer a cobertura da FLIP, Festa Literária Internacional de Parati que acontece do dia 4 a 8 de julho. Você, que visita o blog neste instante, deve estar se perguntando, mas porque só agora esse cara resolve falar da FLIP?

Assim posto, respondo: o jornalista que fala aqui não dispõe de recursos tecnológicos avançados como um notebook e internet, muito menos tem credencial para o evento. Portanto, o foco da abordagem terá um viés periférico da grande mídia e atentarei para o olhar não só do universo dos escritores, mas das pessoas que colaboram para o sucesso do evento. Desse modo, a pluralidade de acontecimentos e de pessoas será o fio condutor da viagem até tal cidade histórica do Rio de Janeiro.

E por que falar sobre a FLIP? Também digo. Evidenciar a literatura, a escrita, é algo importante em um país de tão poucos leitores assíduos, mostrar a cultura e o prazer por ler para os cidadãos deve ser fundamental não somente por nós jornalistas, mas estimulados por todos os preocupados com a educação, para engendrarmos uma sociedade forte e coesa do ponto de vista intelectual.

O homenageado desta quinta edição da FLIP é Nelson Rodrigues – jornalista, dramaturgo e cronista – que dispensa comentários devido a sua produção ser conhecida pela qualidade e riqueza de sentidos, trabalhando com acuracidade acerca da vida urbana.


“Chegou às redações a notícia da minha morte. E os bons colegas trataram de fazer a notícia. Se é verdade o que de mim disseram os necrológios, com a generosa abundância de todos os necrológios, sou de fato um bom sujeito.”
Nelson Rodrigues
(In: Ruy Castro, extraída do livro "Flor de Obsessão", 1997)

sábado, 23 de junho de 2007

Reforma Política: Um dilema insolucionável


Manifestação contra a corrupção, por mudanças na
política econômica e uma reforma política democrática, na
Esplanada dos Ministérios em Brasília - DF
A reforma política é um tema recorrente na vida política brasileira. Está presente na agenda dos congressistas há vários anos, mas é sempre orientada pelos interesses eleitorais e partidários. Por alguns especialistas é chamada de “casuísmo eleitoral” – geralmente, alteração de curto prazo e de curta duração. Devido a essa terminologia, é que cientistas sociais, antropólogos e outros profissionais, ligados à área dos estudos políticos, acreditam que a maioria dos políticos tem uma concepção de reforma política como apenas reforma do sistema eleitoral.

Essa temática está presente também nas discussões acadêmicas e na mídia. Na academia, mais como um objeto a ser estudado/pesquisado; e na mídia, quase sempre, como a solução de todos os males do país ou é tratada de modo pejorativo. Para uma parte significativa desses autores, é um instrumento para melhorar a governabilidade do Estado (manter as elites no poder) ou aumentar sua eficiência (como atender melhor aos interesses das elites).

Já no âmbito da sociedade civil organizada, das organizações, movimentos, redes, fóruns e articulações que defendem o interesse público - aqui entendido como os interesses da maioria da população, e a radicalização da democracia - a reforma política está inserida em um contexto mais amplo, que necessariamente diz respeito a mudanças no próprio sistema político, na cultura política e no próprio Estado. Dessa forma, os princípios democráticos que devem nortear uma verdadeira reforma política são os da igualdade, da diversidade, da justiça, da liberdade, da participação, da transparência e do controle social.

Em resumo, entendemos como reforma política a reforma do próprio processo de decisão, portanto, a reforma do poder e da forma de exercê-lo. Sendo assim, reforma política ganha olhares e enfoques diferentes de acordo com os interesses de quem a debate e do lugar que ocupa no cenário político e na vida pública.

Acerca da reforma política, a frase do deputado Bonifácio de Andrada demonstra como o assunto é complexo e abrangente na atualidade:


“A reforma política, de acordo com os estudos de direito constitucional, compreende: a organização dos poderes, o que envolve o regime de governo; a estrutura do Estado, que é federação; os sistemas eleitoral e partidário; e, finalmente, um tema moderno, que é a defesa nacional e segurança pública”. [1]


[1] Citação realizada durante a reunião de instalação da Comissão Especial de Reforma Política, no Senado Federal, dia 26 de fevereiro de 2003.

A respeito da reforma, Norberto Bobbio, intelectual italiano, comenta que a população por meio de movimentos democráticos pode se fazer ouvir em situações como as aqui abordadas. Observemos esse argumento abaixo:

“A sobrecarga das demandas da qual derivaria uma das razões da ingovernabilidade das sociedades mais avançadas é uma das características do regime democrático, no qual as pessoas podem se reunir, se associar e se organizar para fazer ouvir a própria voz” (BOBBIO: 1986).


Nesse ensejo referente à reformulação das bases e diretrizes políticas, o professor Wanderley dos Santos afirma, por exemplo, que “revisões, reformas e legislação são sugeridas a título de dotar o nosso sistema político daqueles tributos que seria manco: transparência, eticidade, representatividade e eficácia. Na realidade, porém, a derradeira estação deste atentado institucional seria, ou será, o retorno ao clube oligárquico da competição partidário-eleitoral minimalista”. (SANTOS: 1994). E ainda afirma, o mesmo autor, que tais reformas representam “o mais violento atentado institucional já ousado por civis no último meio século de vida brasileira”. O que representa uma ironia quando relembramos o fato do país ter passado por uma ditadura militar.

Foto tirada em alusão sátira ao episódio de transportes de 100 mil dólares em roupas intimas, realizado por um assessor parlamentar ligado ao partido do governo


Contudo, a reforma política permanece suspensa, aguardando o momento em que será concretizada. O que se espera de fato, é que a sociedade se atente, contribuindo para ampliar a discussão sobre a maneira de organizar a sociedade no âmbito “ético, transparente e justo”. O momento político atual impôs uma pressão de forma que nenhum partido se coloca contrário à reforma. No entanto, resta saber quando e em que nível a reforma política será executada.



Referências Bibliográficas

BORON, Atílio A. Estado, capitalismo e democracia na América Latina. Paz e Terra. São Paulo, 1995.

BOBBIO, Norberto. O Futuro da Democracia: uma defesa das regras do jogo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.

CUNHA, Sérgio Sérvulo da. O que é o voto distrital. Porto Alegre, 1991.

NICOLAU, Jairo Marconi. Sistema eleitoral e reforma política, Foglio Editora. Rio de Janeiro: 1993.

SANTOS, Wanderley Guilherme dos. Regresso – Máscaras institucionais do liberalismo oligárquico. Ópera Nostra. Rio de Janeiro: 1994.


Webgrafia

http://www.interlegis.gov.br/
Acessado em: 01/05/07

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Grêmio, Boca e os "Aflitos"


Hoje o Grêmio enfrenta o Boca precisando marcar 3 gols pra ir para os pênaltis e 4 para ser campeão direto.

No primeiro jogo, em Buenos Aires, tomou 3.


É possível reverter essa vantagem?

Aos céticos impossível.

Lembremos, no entanto, que foi o time tricolor gaúcho, apelido como Imortal por seus torcedores, um dos times participantes da histórica final da série B: “Batalha dos Aflitos”.

Jogo apontado por muitos amantes do futebol como um dos melhores da história do futebol.

Rememoremos resumidamente o jogo:

“A partida transformou em herói um rapaz que no início do ano era quarto goleiro da equipe. (Gallato). E que confirmou o "status" de craque de um garoto que sequer completou a maioridade (Anderson). Com quatro jogadores expulsos e ainda o goleiro, Gallato conseguiu pegar 2 pênaltis na partida, o time do Grêmio naquele dia conseguiu fazer algo sobrenatural e que dificilmente acontecerá em lugar algum, marcar 1 gol e ainda ser o campeão do torneio aos 59 minutos do segundo tempo, após as paralisações.”
O Boca Juniors é um adversário argentino de hoje, fortíssimo e tradicional por ter um retrospecto amplamente positivo nos confrontos contra times brasileiros.

Resta-nos, portanto, como torcedores brasileiros se não torcer pelo Grêmio ao menos reavivar nossa memória e grandiosidade pelo feito gaúcho.
Gol do Grêmio narrado por uma rádio em Recife incréduda e estarrecida com o acontecimento.
http://www.youtube.com/watch?v=-LgxtcD700E

Para mostrar um exemplo de superação, esse vídeo ilustra os momentos que mostram o quão inacreditável pode ser o futebol.
http://www.youtube.com/watch?v=iv-IPwP24z0

O futebol passa a ser apaixonante por proporcionar aos seus espectadores a possibilidade de sonhar com o êxito. Independente do resultado, aos leitores fica a mensagem de que:

" Futebol é assim mesmo, um dia a gente ganha, outro dia a gente perde, mas por que é que, quando a gente ganha, ninguém se lembra de que futebol é assim mesmo? "
Carlos Drummond de Andrade in "Jogo à distância"

Crescer economicamente mais do que com investimentos, mas sabedoria

A política econômica adotada pelo governo brasileiro tem sido alvo de muitas críticas nacionalmente. A manutenção de altas taxas de juros, que alcançaram o patamar de 18,25% (taxa Selic, que é a taxa de juros básica da economia brasileira), é apontada como um fator de inibição para a retomada do crescimento econômico. Atualmente, no país, ao que falta são algumas condições básicas para atrair novos investimentos para o Brasil, fator que é um desafio urgente para impulsionar o desenvolvimento.

É perceptível que a taxa de juros atual é, sem dúvida, alta, ela retarda o crescimento, mas não desvia a meta de crescimento. Hoje o Brasil ainda está em uma situação delicada, não pode deixar de sinalizar uma política monetária que contenha pressões inflacionárias através dos juros, mas, por outro lado, não pode permitir que os juros cheguem a um patamar que iniba o sistema produtivo.

O desafio da política econômica atual, para o crescimento, é, por sua vez, lidar com o curto prazo de uma maneira condizente com o objetivo de promover o crescimento econômico sustentado a longo prazo. Nesse sentido, a principal mudança na política econômica do governo vigente seria o fato de ter dado continuidade à política anterior, diferentemente da história econômica brasileira, marcada por mudanças a cada novo mandato.

A estabilidade, credibilidade e crescimento são elementos plausíveis e fundamentais e se construídas juntas e pensadas de maneira interdependente podem corroborar para o crescimento econômico do país. O raciocínio é simples: o crescimento vem de investimentos de agentes - empresas, pessoas, governo - que geram emprego, demanda para o sistema produtivo e renda. Os investidores, por sua vez, só investem se tiverem credibilidade e perspectivas de ganhos futuros, em um cenário econômico estável. O país precisa ter uma imagem séria, com regras e leis claras, e ter estabelecido um marco institucional (regras legais) adequado para que os investidores internacionais se sintam atraídos por nosso mercado.

O principal problema em relação ao crescimento econômico brasileiro não está na alta taxa de juros, que poderia ser mantida a curto prazo, caso houvesse uma política estruturante de incentivo ao crescimento. As políticas estruturantes têm por objetivo criar uma estabilidade institucional para os investidores internacionais através de regras claras para investimentos, com legislação adequada, mecanismos de defesa sanitária e regulamentação da biotecnologia de demais tecnologias e patentes. Para os empresários a justiça no Brasil é demorada, os direitos não são respeitados e faltam leis claras, o que ocasiona a fuga de investimentos.

Do ponto de vista comercial, a divulgação do Brasil para atrair investimentos no exterior é uma propaganda atraente e uma alternativa para acelerar o crescimento econômico, desde que feito com medidas de planejamento. Desta forma, existe a necessidade de implementação de políticas estruturantes e adoção de uma postura estratégica na base governista para engendrar nossa imagem externa, impulsionar os investimentos bem como crescer coeso no cenário econômico mundial.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Resenha do filme Zuzu Angel: Uma visão sensível sobre o período


Filme dirigido por Sérgio Rezende, Zuzu Angel é uma cinebiografia de uma estilista que impulsionou a fama do Brasil na moda internacional. O filme mostra o drama vivido pela estilista mineira (Patrícia Pillar), cujo filho, Stuart Edgard Angel Jones (Daniel de Oliveira), desapareceu durante a Ditadura Militar, nos anos 70, envolvido com a guerrilha que combatia o sistema, Stuart Angel foi preso em 14 de maio de 1971 pelos agentes do Centro de Informação da Aeronáutica.

O filme é conduzido de forma a lembrar em alguns momentos a linguagem televisiva. A atriz consegue passar ao espectador de forma clara o drama vivido pela personagem que, no início do filme, começa a ter reconhecimento profissional – coisa rara para uma mulher naquela época – não somente no Brasil, mas internacionalmente também. Essa passagem, de mulher bem-sucedida à mãe desesperada, acontece de forma sutil e emocionante ao longo do filme devido à boa atuação de Patrícia Pillar.

No período da ditadura, enquanto Zuzu Angel tornava-se sinônimo de moda brasileira, Stuart envolvia-se cada vez mais nos movimentos estudantis contra a ditadura. As mulheres davam seus primeiros passos de individualidade e ela foi um grande exemplo: separada do marido, sustentou seus três filhos exportando moda brasileira. A estilista foi pioneira em usar elementos tipicamente brasileiros, como a chita, em seus figurinos.

A falta de notícias do filho Stuart, que lutava pela revolução socialista ao lado da mulher Sônia Angel (Leandra Leal), preocupava Zuzu. Tal preocupação culmina no dia em que recebe um telefonema de um desconhecido, que dizia que Paulo (como Stuart era conhecido no movimento) estava preso.

A estilista parte no meio da noite em busca do filho nos quartéis do Rio de Janeiro, mas ele é dado como desaparecido político pelo Centro de Informações e Segurança da Aeronáutica - CISA. A intuição de mãe lhe diz que tudo é uma farsa, que os agentes estão mentindo para ela.
Sendo assim, conta com a ajuda de suas amigas e do advogado Fraga (Alexandre Borges), que sempre esteve ao seu lado, em busca de uma solução para o desaparecimento de seu filho.

Zuzu descobre que Stuart foi preso, torturado e morto. Abalada, deseja velar e enterrar o filho, mas o corpo não é encontrado. Apela também ao senador norte-americano Edward Kennedy que, por sua vez, leva o caso ao Congresso dos Estados Unidos.

Zuzu Angel tem uma técnica harmoniosa que prende o telespectador do início ao fim da trama, sem precisar apelar para a violência desmedida. O resultado está na boa interpretação da atriz Patrícia Pillar que demonstra alta capacidade interpretativa.

A trilha sonora de Cristóvão Bastos envolve e traz o telespectador para dentro filme, na medida certa, e a fotografia, a produção e direção interagem em sintonia.

Zuzu Angel é um filme forte e, ao mesmo tempo, delicado, pois fala do direito à liberdade e, principalmente, dos bastidores da ditadura militar. A cinebiografia não retrata o momento de sucesso da vida da estilista, e sim a luta de uma mãe pelo corpo de seu filho - sendo, posteriormente, declarado como desaparecido político.

O filme Zuzu Angel se transforma numa importante peça histórica que lembra um tempo em que as pessoas eram perseguidas por defenderem seus ideais. A luta de Zuzu Angel foi semelhante à de muitas outras mães que também perderam os seus filhos nos porões da ditadura militar brasileira; a diferença é que Angel tinha os meios – e os contatos – disponíveis para conseguir ser ouvida.

Em 14 de abril de 1976, o corpo de Zuzu Angel foi encontrado na saída do Túnel Dois Irmãos na Estrada da Gávea, no Rio de Janeiro. A causa de sua morte foi dada como acidental, sendo reconhecida como assassinato somente nos anos 90.

Jornalismo: Um salto evolutivo no olhar das Ciências

Pretende-se salientar aqui algumas questões sobre a necessidade do Curso de Jornalismo. Muitos dos que são contrários à obrigatoriedade do diploma argumentam que cursar uma faculdade específica para exercer a profissão é algo desnecessário. Há quem diga, inclusive, que o jornalismo não possui conhecimentos específicos.

Acredita-se que essa afirmativa – acompanhada de um certo sentimento antiacadêmico em torno das especificidades da comunicação aplicadas ao jornalismo – deve-se ao fato de que, historicamente, o curso superior na área seja recente e que alguns conhecimentos foram absorvidos em observação empírica na área.

Atualmente, a figura do jornalista que "sabe das coisas" permanece de forma anacrônica. De maneira equivocada, alguns argumentam que seria melhor que o jornalista que atua na editoria de economia, por exemplo, fosse formado nessa área. Tal pressuposto não enxerga como o conhecimento humano está fragmentado e desconhece o principal motivo que levou à identificação da necessidade de um curso superior específico para jornalistas.

Foram necessários anos de análise para que se constatasse essa necessidade. A evolução dos meios de comunicação na esfera pública ganhou contornos que sociologia, filosofia, psicologia, antropologia, entre outras ciências humanas e sociais, não conseguiram absorver sozinhas.
A princípio, todas tentavam tomar os medias como um novo objeto de estudo particular.

Logo, viu-se que não era possível. O que deu início a um estudo multidisciplinar que, é claro, não deixou de ser útil até hoje. Contudo, não demoraram em perceber que uma nova área exclusiva de pesquisas científicas estava exposta, exigindo delimitação mais clara. Isso porque estas áreas das ciências, citadas acima, não se dedicavam exclusivamente aos estudos dos medias.

Além disso, estava constatado que os profissionais que a sociologia, a filosofia, a antropologia ou a psicologia formam não se aprofundam exclusivamente na elaboração teórica e técnica dos medias ou de seus vícios e efeitos sobre a sociedade a médio e longo prazo. Portanto, tornou-se clara a necessidade de reconhecer o surgimento de um novo fenômeno, no campo das ciências sociais e humanas, que exigia uma nova especialização: a comunicação social, área exclusivamente dedicada aos meios de comunicação de massa.

Instantaneamente, o curso de Comunicação se mostrou extenso verificando a necessidade da segmentação deste novo fenômeno das ciências sociais e humanas. Principalmente nas ramificações em que se notou a existência de objetos ainda mais particulares. O jornalismo, logo, é uma delas. Tem um objeto próprio de estudo, definido por alguns de "mediação do interesse público nos medias" ou ainda "mediação das notícias nos medias".

O que no fim significa o mesmo, pois o princípio de notícia é tudo aquilo que carrega interesse público. Ora, se o objeto de trabalho do jornalista é a "a mediação do interesse público nos medias", vemos a importância de nos aprofundarmos nas pesquisas de comunicação, que desenvolve pesquisas sérias como agenda setting, valor institucional da notícia, semiótica e tantas outras pesquisas científicas aplicadas ao jornalismo.

Ao jornalista, portanto, cabe: A responsabilidade de se especializar na veiculação equilibrada das vozes sociais nos medias; detectar vícios e práticas que prejudicam a boa comunicação; observar os efeitos das coberturas jornalística em médio e longo prazo; preservar o equilíbrio das vozes sociais e políticas nos medias; fiscalizar o poder público; observar a capacidade dos medias de influenciar o público não no como pensar sobre determinado assunto, mas sobre o que pensar; organizar, estruturar e hierarquizar as informações, explicá-las, analisá-las e interpretá-las, e apresentá-las e difundi-las por diversos processos, utilizando-se de meios impressos, auditivos, visuais, geralmente combinados entre si; fiscalizar o poder público e saber diferenciar o interesse público do interesse sensacionalista do público.

É natural que, para atingir esses objetivos, são necessárias aplicação pessoal nos estudos e pesquisas específicas da comunicação sobre o jornalismo. O que também não anula a apropriação de trabalhos desenvolvidos por outras ciências sociais e humanas. Ou seja, a interdisciplinaridade não será anulada, e isso não diminui a necessidade de um curso totalmente voltado ao jornalismo.

É como acontece com a medicina. Endocrinologistas, por exemplo – únicos especialistas autorizados a atender pacientes diabéticos – apropriam-se de conhecimentos desenvolvidos por nutricionistas, cardiologistas, urologistas, entre outros, sem prejuízo algum da necessidade do curso específico em Endocrinologia. A interdisciplinaridade nunca será motivo para desmerecer uma graduação em particular.


Segundo o professor Francisco José Castilhos Karam, da Universidade Federal de Santa Catarina, sobre a necessidade da graduação em Jornalismo explica que:


“A obrigatoriedade do diploma é o resultado de uma necessidade, a de estudar e de ter conhecimentos específicos". (1997: 56)



Os conhecimentos específicos proporcionados por uma faculdade de Jornalismo dificilmente serão absorvidos pela prática diária. Cita-se, mais uma vez, dois trechos do raciocínio do jornalista Eugênio Bucci, escrita no livro Sobre ética e imprensa, em que o autor diz que:


“A prática jornalística nunca dependeu tanto da reflexão e do estudo como agora. Julgar que os conhecimentos éticos tradicionais estão automaticamente assegurados pela prática do dia-a-dia e que são suficientes para as coberturas contemporâneas é tão anacrônico quanto acreditar que os cuidados que um pistoleiro do Velho Oeste dispensava ao seu Colt 45 são suficientes para que generais da Otan tomem conta de seus mísseis nucleares ... chega a ser chocante constatar que a maioria dos jornalistas praticamente não estuda. Ao contrário, dão mostras de um sentimento anti-acadêmico e antiintelectual quase sem precedentes. Nenhum deles levaria o filho a um dentista que se orgulhasse de não cursar pós-graduação. Nenhum deles iria se tratar com um cardiologista que não freqüentasse os congressos internacionais de sua área, de preferência apresentando trabalhos. Nenhum contrataria como um advogado curioso inculto; dariam preferência aos que fossem professores titulares de alguma universidade. E, mesmo assim, consideram normal que o público seja informado por profissionais que, em média, pouco lêem e não estudam. Que não estudam sequer o que passa com a comunicação e com o espaço público nas democracias atuais. A persistir nessa toada, a mentalidade média das redações continuará a reproduzir o espetáculo". (2000:83)



Em 1987, Perseu Abramo também opinou sobre o curso específico de jornalismo:



"Não é uma atividade geral, que qualquer um possa fazer. É um processo específico e complexo e que, por isso, exige formação especializada. A tendência histórica provável é que essa especialização aumente: cresce a complexidade tanto do mundo social e físico, que constitui o conteúdo das informações, quanto dos métodos de obtenção, registro e difusão das informações. Por isso modernamente o jornalismo necessita de formação especializada de nível superior; por isso é que surgiram, no interior dos sistemas escolares universitários, os cursos de jornalismo e seus diplomas. Não se trata de um ‘direito’ dos formandos. Trata-se do direito de a sociedade exigir do profissional a prova da sua formação regular, escolar e superior específica". (ABRAMO: 02/10/1987: Folha de S. Paulo)


Por fim, conclui-se que a principal apelação daqueles que não acreditam na necessidade de um curso específico de Jornalismo está no fato de que em diversos países da Europa e nos Estados Unidos não é prevista a obrigatoriedade do diploma para a atuação profissional. Contudo, um breve olhar sobre o mercado de trabalho nesses lugares revela que a grande maioria de vagas é ocupada por profissionais formados em Jornalismo.

Este fato comprova a contundência do curso específico, mas não só isso: demonstra também a importância que as nações desenvolvidas delegam ao aprimoramento científico aplicado à comunicação. Não é à toa que, nos Estados Unidos, por exemplo, as empresas de comunicação contribuam com generosas doações às universidades. Há, nitidamente, uma clara cultura de valorização do conhecimento humano nestes países, fator que precisa ser seguido no Brasil no âmbito acadêmico e de mercado.



Referências Bibliográficas


ABRAMO, Perseu. Jornalismo – profissão específica ou atividade geral? Disponível em: . Acesso em: 13 nov. 2006.

BYSTRINA, I. Tópicos de semiótica da cultura. São Paulo: Pré-print/ Centro Int. de Semiótica da Cultura e da Mídia, PUC/SP, 1995.

BUCCI, Eugênio. Sobre Ética e Imprensa. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.

DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico. São Paulo: Martin Claret, 2002.

KARAM, Francisco José Castilhos. Jornalismo, Ética e Liberdade. São Paulo: Summus, 1997.

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Webgrafia


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A violência em São Paulo: Uma questão de diluição da identidade?

A metrópole paulista é composta de povos heterogêneos que ao longo de décadas sofreram miscigenação. No entanto, o fator de aglutinação não implica que as pessoas convirjam seu modo de pensar e, atualmente a acentuada disparidade e intolerância das idéias é o elemento que mais colabora para a diluição da identidade do paulistano.

Desigualdades sociais de ordem econômica, política e cultural são alguns pontos que desencadeiam uma mudança na esfera social e transformam os valores humanos da cidade de São Paulo em verdadeiros palcos de violência por facções criminosas que se chocam com as medidas de um Estado que tem, obviamente, como qualquer outra gestão, suas falibilidades administrativas.

Um fator que motiva a violência de facções criminosas na capital paulista é a falta de investimentos em educação no país. Por exemplo, em meados da década de 1960, havia boa educação nas escolas públicas, contudo o tal ensino sofreu queda de qualidade enfrentando, hodiernamente, uma condição de precariedade no tangível à infra-estrutura e formação estudantil do cidadão.

A ação violenta da polícia, vista nos dias de hoje, comandada pelo Estado, colabora para o caos na cidade. Traçando, então, um paralelo com a questão educacional no país, pode-se observar que enquanto se investir na construção de penitenciárias em detrimento às escolas, o Estado brasileiro, agora de modo amplo, estará prejudicado na causa da ação social.

Atualmente, escândalos de corrupção e ética que envolveram figuras da política deixaram os paulistanos mais temerosos e preocupados com a questão de uma resolução eficaz e rápida para o problema da violência em São Paulo. Existem inclusive opiniões de que o PCC, a facção criminosa que atacou a cidade, é uma conseqüência da corrupção e subalternidade do Estado, conivente com os criminosos.

O fortalecimento desses grupos, que agem como organizações terroristas, deve-se também ao forte apelo midiático que anuncia várias vezes a sigla em seus conteúdos, por conseqüência, a rotulação ganha força e se transforma em marca, deste modo, muitas pessoas que praticam a criminalidade acabam se espelhando nesse modelo e além de praticarem atos de vandalismo, podem inclusive aumentar o contigente recrutado se filiando a este grupo. A violência, por sua vez, pode-se tornar um estilo de vida.

Um aspecto que fica evidente andando pelas ruas de São Paulo é o fato das autoridades estarem despreparadas para enfrentar essa situação, a segurança e o sistema de transportes demonstram-se lentos para suprir as necessidades do cidadão diante das adversidades do cenário de violência. É possível notar que o quadro que permeia a sociedade deve-se a uma questão de ausência de diálogo entre as autoridades estatais, a cúpula administrativa, e as classes mais baixas da cidade.

Pode-se então concluir que as dificuldades em compreender os valores de cada grupo que compõem a cultura paulista prejudica o estágio de consolidação rumo a uma sociedade forte e coesa, pois há um esquecimento das tradições e vínculos sociais, que são renegados. A ausência de valorização de princípios e costumes acaba refletindo qual é a real identidade do paulistano, que não se vê mais pertencente ao espaço público e físico que o circunda, mas sim como um simples passageiro, um transeunte, em busca de uma terra que lhe ofereça mais segurança e hospitalidade.